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quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

A BRILHANTE GÊNESE DO DIREITO NO EMBATE ENTRE OS VINGADORES!
O pequeno e serelepe Denio Filho já é, desde cedo, aturdido por densas e complexas questões sobre a ética, a moral e o direito!

Saiu na semana passada, com grande alarde, o trailer do próximo grande filme de heróis da Marvel, que promete arrasar tudo o que já foi feito até hoje em termos de "nerdologia cinematográfica" (gostaram do termo? rsrs). Ainda não viu? Dá só uma olhada então...


Vingadores: Guerra Infinita tem previsão de lançamento para abril de 2018, mas só no primeiro dia de postagem desse trailer no YouTube, já quebrou recordes de visualizações.

Filme de herói realmente entrou para o gosto popular, fica bombando mesmo.

E a garotada gosta, curte muito, porque é uma transposição perfeita da epifania de gente da minha geração (e das atuais também!), ao mergulhar de ponta naquelas HQ mágicas de Homem de Ferro, Homem-Aranha, Capitão América e outros.

O pessoal de Hollywood (roteiristas, diretores) realmente pegou muito bem a manha de criar uma realidade paralela, nas telonas, de todos aqueles seres fantásticos, com os seus fenomenais poderes.

E eis que, mediante esse frenesi todo gerado por uma nova aventura dos Vingadores chegando, meu garotinho de 9 anos se aproxima de mim e começa a me cravar de perguntas (como ele sempre adora fazer) sobre a empreitada anterior em que todos eles apareceram no cinema, e que trouxe a ruptura do grupo, já ocorrida décadas atrás nas histórias em quadrinhos - no filme Capitão América: Guerra Civil, do ano passado, o grupo de heróis passou por uma cisão gerada por um conflito ideológico, que leva a um sério desentendimento entre dois de seus principais integrantes, o Homem de Ferro (Tony Stark), e o Capitão América (Steve Rogers).

Enquanto o Homem de Ferro prefere manter boas relações diplomáticas, querendo induzir o grupo a assinar um acordo para desenvolverem suas ações sob a supervisão dos governos do mundo (algo como "estatizar" os Vingadores), o Capitão América defende a independência deles, para que continuem com sua autonomia para agir salvando o mundo quando e da forma que bem entenderem.

Resultado: os Vingadores ficam divididos ao meio. Há uma parte da equipe que fica do lado do Capitão América, e a outra fica do lado do Homem de Ferro.





O pau come feio entre Capitão América e Homem de Ferro: HQ original de 'Guerra Civil'

Guerra Civil é um arco clássico de histórias dessa turma da Marvel, uma trama já ocorrida nos quadrinhos durante o biênio 2006/2007.

No cerne desse interessante conflito entre alguns dos heróis mais poderosos do mundo, estão profundas e prementes questões envolvendo a ética, a moral, e o direito.

Denio Filho me olha incisivamente e alveja: "Pai, quem está certo nessa briga? O Capitão América ou o Homem de Ferro?". E é claro, depois ele ainda me perguntaria 'n' vezes de que lado eu estava...

Olho para ele, respiro fundo, e vou então cumprir o meu dever de pai, de tentar explicar as coisas da forma mais clara, honesta e racional para ele, do modo como sempre gostei de fazer.

"Denio Filho... Os dois estão certos. Ninguém está errado. Cada um tem sua forma de pensar e vai tentar defender aquilo em que acredita."

O grupo do Homem de Ferro, no filme

Notável verificar que, no embate de visões entre os dois heróis líderes dos Vingadores, encontra-se discretamente insculpida uma brilhante gênese da tese do direito, que acaba influenciando jovens cabeças questionadoras e pensativas por aí.

Quando estuda-se a Filosofia do Direito, aprende-se através do pensamento clássico de Rudolph Von Ihering sobre a relatividade das verdades jurídicas - o direito é expressão da manifestação do desejo, das crenças e convicções do particular, sobre aquilo que ele tem como certo.

Cada indivíduo é um mundo em si.

Com seus anseios, sonhos, aspirações, renúncias e cobranças interiores. E todos tem uma determinada motivação para agirem do jeito que agem, com seus próprios códigos de conduta pessoais - influenciados, é claro, pelos códigos do meio em que vivem.

Dessa forma, e ainda de acordo com a Teoria Pura do Direito, de Hans Kelsen, o direito subjetivo é uma manifestação viva e pulsante da conduta humana, colocada sob o prisma de agentes físicos, sociais e morais, e cada ser vê e pensa o seu direito de uma forma, catalisador de seus interesses que é - Tony Stark é um empresário bilionário, investidor da indústria de armas, que sempre teve boas relações com os militares e governos, e acredita que a força dos Vingadores é bruta e destrutiva demais para continuar existindo sem um maior controle, ou supervisão. É um homem de métodos, devoto da sistemática. Steve Rogers, por sua vez, é um soldado de outros tempos: congelado ainda na época da Segunda Guerra Mundial, e trazido de volta à vida em nossa época, não entende os acordos e negociatas do mundo atual, sustenta um código moral e ético antigo, que ainda o empurra para a defesa da vida e da justiça a qualquer custo, e se desiludiu com algumas agruras do exército norte-americano moderno, ao qual tentou servir mas constatou estar preso a joguetes políticos. 
O grupo do Capitão América, no filme

Ou seja, cada um tem as suas motivações. E estudar sobre quem estaria mais correto moralmente do que o outro é atribuição de uma análise deontológica profunda, que deve estar sempre presente, todos os dias, no trabalho jurisdicional ocorrido nos tribunais.

Aqui também se encontra aquele velho impasse, tão debatido nas faculdades por aí, sobre o que é o justo e o legal: em alguns momentos se cruzam, mas nem sempre um é o outro. 

"Justo" é o que tem a ver com a justiça, com o que tomamos mais como moralmente certo, e que vai de encontro a uma consciência profunda dos povos (e de seus costumes) sobre o que deve existir socialmente para gerar a paz, o bem-estar, e o equilíbrio entre os cidadãos, sem estar necessariamente atrelado a uma lei. Exemplo: uma grande parcela da população acha justo aumentar as penas para determinados crimes, mas isso não é legal (não há lei atualmente prevendo isso). Ao passo que "legal" é o que vai de encontro ao que está cominado nas leis, decretos, resoluções etc.

Outro exemplo? O nosso digníssimo ministro do STF, Sr. Gilmar Mendes, andou liberando alguns habeas corpus de investigados da Lava-Jato recentemente, que certamente foram legais. Estavam de acordo com as leis. Mas muita gente achou que não eram justos...

Seria o Capitão América mais adepto do que é "justo" em detrimento do que é "legal", ao contrário do Homem de Ferro, que estaria indo de encontro a leis da ONU e de países que querem domesticar as ações dos Vingadores? Pra pensar.

Seria interessante vermos, um dia, o desenrolar jurídico deste conflito entre os Vingadores, um filme de tribunal de heróis! - o que certamente não ocorrerá, pois não é interesse do cinema de ação.

Mas fica aí uma proposta bacana, e moderna, para algum estudante de Direito que estiver lendo este artigo: fazer um trabalho universitário contrastando as teses de defesa entre os dois lados dos Vingadores.

Que teses argumentativas os advogados do Capitão América e do Homem de Ferro utilizariam para defender os seus clientes?

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

OS EUA NÃO SÃO O QUE VOCÊ PENSA
Destroços do terrível acidente com o Comair flight 3272

Recentemente, o canal NatGeo mostrou um documentário sobre um dos mais inesperados desastres da história da aviação norte-americana - e, por incrível que pareça, envolvendo um avião comercial brasileiro!


O caso do vôo do Comair 3272, ocorrido há vinte anos atrás, é singular por nos fazer refletir, mais uma vez, sobre a notória "síndrome de vira-lata" do nosso povo: aquele sentimento empedernido e muitas vezes contagioso, geralmente disseminado nas conversinhas em filas de banco, metrô, portas de buteco e outros locais de aglomeração popular, que tende a puxar a pobre alma brazuca sempre mais para baixo.

Mas você tem certeza que as coisas são realmente assim tão ruins? Vejamos.

Em 9 de janeiro de 1997, um avião da empresa aérea Comair, de nº 3272, decolou com 26 passageiros a bordo, do Aeroporto Internacional de Cincinatti, com destino a Detroit. A aeronave era um modelo de médio porte comum e muito utilizado por empresas aéreas norte-americanas na época, e produzida no Brasil: o Embraer EMB 120

Além dos passageiros, a equipe de bordo eram o comandante Dann Carlsen, o seu co-piloto Kenneth Reese, mais a aeromoça Darinda Ogden-Nielsen.

Modelo do Embraer EMB 120 original

Ao se aproximar de seu destino, o avião começa a enfrentar turbulências resultantes da primeira tempestade de inverno que se avizinhava na região de Detroit, naquele ano. Como as nuvens espessas e a crescente onda de neve e ventos começavam a atrapalhar as condições de visibilidade convencionais, a torre de controle de Detroit negou permissão de pouso no aeroporto e recomendou aos pilotos que se dirigissem para pousar no aeroporto mais próximo, em Toledo, Ohio, cerca de 24 km do local do acidente.

Com a aeronave ligada quase durante toda a viagem no modo piloto automático, Carlsen e Reese não percebiam que, quanto mais eles avançavam nas densas nuvens de frio formadas na altitude em que estavam, as asas e motores do avião congelavam e eram danificadas por camadas de gelo que se formavam naturalmente na parte externa.

A temperatura na área era de -3º Celsius, e visibilidade de cerca de 400 metros.

Quando os pilotos finalmente perceberam que a situação atmosférica era grave e requeria maior atenção, passando a operar manualmente a aeronave, já era tarde: o Comair 3272 havia perdido totalmente uma das asas e estava com apenas 30% de capacidade na outra. Começava a rota mortal de descida descontrolada do avião, com movimentos quase em espiral num último esforço para evitar a queda, que atingiria o seu fim em apenas alguns segundos.

O Comair 3272 se chocou de ponta em um terreno da área rural de Monroe County, próxima da cidade de Ida, ao sul de Detroit. Não houve sobreviventes. 

Logo, como de costume, a rede CNN e diversos outros veículos de comunicação que faziam a cobertura do desastre começaram a questionar se os motivos para a queda do avião não seriam devidos à origem do mesmo: especulava-se que o modelo Embraer EMB 120 era uma máquina barata, insegura, comprada a toque de caixa por diversas empresas de aviação americanas. Que autoridades da Agência Federal de Aviação Civil dos EUA, a FAA (Federal Aviation Agency) teriam exigido que a Embraer realizasse modificações em todos os aviões desse modelo para que pudessem operar melhor nas condições especiais de frio e chuva do território norte-americano. Que os pilotos eram exímios aviadores e não haveria a mínima possibilidade de erro no procedimento dos mesmos.

Diversos órgãos do governo e da aviação civil empreenderam, então, extenuantes investigações, para determinar as causas do acidente.

Alguns anos depois, os laudos resultantes da FAA e da NTSB (National Transportation Safety Board, órgão indicado pelo Congresso americano para investigar causas de acidentes aéreos nos EUA) eram incisivos em apontar que não havia nada de errado com o avião, nem com os pilotos: a culpa era da própria empresa Comair, que não havia incluído em seus manuais de operação de vôo, distribuídos aos pilotos, todos os procedimentos rotineiros de degelo da aeronave, recomendados pelo fabricante no material original de instruções que vinha com as naves... O fabricante: a brasileira Embraer.

Em suma: a Embraer atendia, nos manuais da aeronave, a tudo o que a FAA e NTSB exigiam, com todos os detalhes e padrões técnicos recomendados. Todos os procedimentos que os pilotos deveriam adotar para evitar um congelamento do avião, em condições especiais de frio, estavam ali, perfeitamente descritos. Foi a empresa norte-americana que não passou para os pilotos o modo de fazer a coisa. 

A própria FAA elaboraria uma nota com o seu mea culpa (Lessons Learned, "lições aprendidas", tá online, você pode conferir aqui). É uma agência federal! Poderia muito bem ter verificado se a Comair estava atendendo direitinho à metodologia oficial de emissão de manuais para seus pilotos.

A Comair até hoje enfrenta ações judiciais de familiares das vítimas, requerendo indenizações milionárias pela perda de suas vidas.

E aí? Falha de fiscalização nas companhias? É um desastre que poderia ter sido evitado com maior atenção das autoridades, com as leis, normas e regras? Você já ouviu falar em algo similar no Brasilzão?

Pois é. Mas aconteceu lá, nos EUA. Todo-poderoso Tio Sam.

Este é apenas um exemplo, mas existem muitos outros que comprovam que as coisas não são assim tão lindas nos EUA. Que é um país que sofre corrupção, injustiças e mazelas sociais praticamente tanto quanto em outros, tidos como subdesenvolvidos pela História oficial.
Exemplo da família perfeita no 'american way of life'

Após o grande estouro da bolha do mercado imobiliário que ocorreu por lá, no início dos anos 2000, a situação econômica do país piorou muito com a grande recessão que adveio (e arrastando vários outros países também devido ao dólar, claro), mas não é só isso que carcome o grande sonho americano, o american way of life, por dentro.

Os americanos são um povo com um instinto de iniciativa e empreendedorismo excelente e inteligentíssimo, sem dúvida a grande meca do capitalismo até hoje, mas falta a uma grande parcela deles sensibilidade e humanismo para perceber outros aspectos de que a população mundial necessita, para continuar a sua caminhada por mais alguns anos, neste globo terrestre: atenção com o meio-ambiente, qualidade de vida com sustentabilidade, e melhor uso (ou não uso, aliás) dos recursos naturais esgotáveis.

O nível médio de letramento e intelectualização do norte-americano padrão tem se tornado  preocupante - em comparação, o povo europeu é inegavelmente mais rico cultural e sociologicamente. E isso demonstra também severas falhas no seio familiar e no sistema educacional norte-americano, que tem se tornado objeto de estudo cada vez mais frequente de pedagogos, psicólogos e sociólogos. 

Para que? Para determinar os motivos pelos quais uma nação antes tão promissora e emblemática - ainda a nossa Roma, o império dos dias atuais - volta e meia é assombrada pelos fantasmas do ódio e da autodestruição.

Trump no poder é um reflexo disso. Os seguidos atentados em massa por atiradores lunáticos são um reflexo disso. A extrema e folclórica fixação por armas de fogo do americano comum é um reflexo disso.

Não são necessárias muitas pesquisas para determinar que o maior prazer de final de semana de muitos capiaus branquelos e chapeludos, lá nos cafundós do Texas, não são apostar corridas, curtir beisebol, nem mulheres ou bebidas - mas sim, fire a gun (disparar uma arma, "dar uns tiros"), como se diz por lá. Treinar tiro ao alvo todo fds. Hi ho, cowboy!

E o nível cultural desse povo é péssimo. Horrível. 

Todos sabemos que, se você mostrar um mapa mundi pra eles, vão confundir a Argentina com o Brasil, ou pensar que Itália, Portugal, Espanha, tudo ali na Europa está pregado e faz parte da França.

Se você, como eu, é uma pessoa curiosa e analista dos problemas sociais e comportamentais da humanidade, então eu te convido a tirar um tiquim do teu precioso tempo e assistir esse documentário que está no link a seguir: "Esperando pelo Super-Homem" (Waiting for Superman, 2010), é uma comovente e inquietante reportagem sobre o que anda acontecendo no ensino fundamental norte-americano. Dá um confere aí:


Como você verá, lá muitos pais não tem conseguido encontrar escolas de boa qualidade para matricular seus filhos, e a rede pública de ensino tem sido organizada numa espécie de bingo/sorteio, em que os alunos praticamente apostam se vão conseguir ou não uma vaga para estudar. Muitos ficam sem chance.

Coisas nesse nível, pelo menos, nós não temos no Brasil.

Pense bem antes de falar mal do lugar onde você vive. Sei que soa como lição de moral fuleira, mas talvez o problema esteja em você mesmo(a).

domingo, 19 de novembro de 2017

O PAÍS DOS BABACAS

Sou usuário do Twitter, uma rede social muito legal. Intuitiva, ágil, super dinâmica. Você encontra gente de todo o mundo, e o mundo de toda gente. 

Trem bacana mesmo. 

Já fiquei sabendo de muuuita coisa antes de televisão e outras mídias, em tempo real, através de suas notificações. Desastre de avião do pessoal da Chape, final do ano passado, é um exemplo. Eu já tava garimpando tweets sobre a queda daquele vôo muito antes das TVs e net começarem a pipocar.

O mundo ciberweb da informação respira o "passarinho azul", faz tempo já. Mas como tudo relacionado a redes sociais, há as brigas e intrigas entre grupos ideológicos, os disparates e devaneios de certos usuários também, é claro.

Foi nesse fds, que me deparei com esse absurdo publicado por um usuário, replicado logo aí acima.

Sei lá quem é Igor Sousa, tô nem dourando pílula pra quem é esse coitado.

Só sei que esse negócio aí que ele publicou foi duma infelicidade sem tamanho, gerou certo alarde, e foi uma coisa tão de mau gosto e descarada, que deu vontade realmente de fazer esse post hoje, no blog, sobre o grau de babaquice e safadagem com que as pessoas andam utilizando as tais redes, atualmente.

Gente, vamos parar com isso.

Vamos moderar mais o que a gente pensa pra publicar, antes de sair postando por aí. 

Eu sei que é difícil. Eu já fui assim, também. Mas o esforço compensa, vai por mim. 

Você mostra maturidade, e magoa menos pessoas. Todo mundo tem o direito de não ser ofendido.

Igor, cara... Deixa eu te contar uma coisa. 

O ciclo menstrual é uma das coisas de maior sofrência, para certas mulheres. Não é legal fazer piadinha, ou comentário pseudo científico-social com isso não. O corpo feminino é uma bomba de hormônios conflituosos, que se digladiam para fazer acontecer essa coisa linda e abençoada que é a mulher. Que é o que Deus fez, no mundo, para gerar a vida. 

Se você não sabe, sem uma mulher, você nem estaria aqui, para ficar soltando insanidades como essa que você divulgou, no teu twitter.

Não sei de onde uma pessoa, em sã consciência, pode ter tirado o conceito de que "mulher normal nunca menstrua". Eu, sinceramente, não entendi essa afirmação. 


Mulher não escolhe se ela pode menstruar ou não, Igor. Se pudesse, acho que um monte ia abdicar desse fardo, certeza...

Algumas mulheres passam a vida inteira lutando e sofrendo com a tal menstruação, que desregulada, pode gerar consequências nefastas para o organismo. Câncer de cólo do útero, miomas, depressão, hemorragias... são só algumas provações que o maravilhoso e sacrificado corpo feminino tem que tolerar, por já carregar uma tarefa complexamente divina, que é a possibilidade da concepção. 

Imagina você, Igor Sousa, tendo que colocar absorvente íntimo nesse teu traseirinho suburbano todo mês, frequentando banheiro e tirando e pondo aquela coisa, convivendo direto com aquilo no vai-e-vem do trabalho, algo que diante da nossa tranquila "coçação" de saco masculino parece tão absurda, né? 

Tem graça isso? Você riu da minha piada?

Como dizia poeticamente um biólogo, velho amigo meu, menstruação "é o choro em sangue do corpo feminino, por não ter gerado um filho". Bonito de se ler assim, mas sempre sofrido e repleto de neuras (principalmente a tal TPM) para esses seres tão lindos que fazem parte intensa de nossas vidas, e deviam ser mais respeitadas em seus direitos e chances de igualdade e justiça no mercado de trabalho e nos direitos sociais... e eleitorais!.

Quando me lembro que tivemos a nossa primeira mulher presidenta arrancada do poder  (sem provas!), por um golpe vil, sujo, sacana, covarde e canalha, travestido de procedimento jurídico e legislativo convencional, penso no quanto o Brasil é ainda uma sociedade vil, suja, sacana, covarde e canalha.

E machista, obviamente.

Infelizmente, comentários como esse teu do twitter, só reforçam a minha opinião.

E quando penso em figuras machistas e FASCISTAS que podem ainda querer arrematar o poder, nas eleições de 2018, penso também em caras como você, que com ideias bizarras como essa, pretendem cobrir com um manto hipócrita de "boas intenções" a sustentabilidade dos recursos públicos de áreas esquecidas e minimizadas, como a saúde e a educação - meios tratados como fins pelo Poder Público bandido e desprezível que aí está, conluiado com juízes e promotores CRETINOS e sugando o sangue de nossa carga tributária pesada, maciça - esse sim, tão ou mais valioso que o sangue da menstruação que você citou levianamente!


Já não bastam as ofensas de gente como o idiota do Alexandre Frota, que mais parece um palhaço midiático, fazendo o jogo dos fascistas para ganhar algum espacinho besta nas mídias? Como é que alguém pode dar credibilidade a um cara que ofende de forma tão cruel a mulher com quem ele já foi casado? - as coisas que ele falou a respeito da Cláudia Raia são muito tristes (leia aqui), mostram a mentalidade deplorável de uma pessoa pública, que tem a visibilidade de ter atuado em filmes, novelas, programas de TV! Ele devia conhecer um velho ditado que a gente cultiva no interior: "não cuspa no prato em que já comeu". 

Por pior que tenha sido um relacionamento, é feio ofender ex-cônjuge. Regra de caráter, de civilidade.

Igor, que Deus tenha piedade de gente como você.

Pois nesse país de babacas, cada vez mais, a gente tem que cultivar o amor no coração💗, contra a crescente onda de ódio, intolerância e desunião que toma conta das pessoas, enganadas pelas mídias calhordas e pelos políticos picaretas de sempre. 

Saiba que, da mesma forma que o sangue da menstruação feminina deveria ser usado para aumentar os bancos públicos dos hemocentros, deveria haver uma lei tratando de forma compulsória a doação de pelo menos 70% dos recursos próprios de senadores, deputados, juízes e promotores, advindos de décadas de empoderamento previdenciário e trabalhista com adicionais, auxílios, aposentadorias vitalícias, e demais penduricalhos, para o nosso INSS, que o governo alega estar tão quebrado.

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

VIKINGS DA PAULEIRA
por Robert Gillan

Quando a ação começa pra valer, no início desse grande sucesso do cinema que já é o novo arrasa quarteirão da Marvel, chamado Thor - Ragnarok, o espectador é surpreendido com uma música avassaladora, um som poderoso, que já acerta nossos ouvidos como uma pancada galopante, guitarra-bateria-baixo unidos a um trinado agudo e ameaçador, proveniente como se fosse de algum ritual noturno macabro.

Trata-se de "Immigrant Song", música gravada em 1970, pelo grupo britânico de rock pesado Led Zeppelin. Para quem ainda não sabe, eram eles: Jimmy Page (guitarra), Robert Plant (vocais), John Paul Jones (baixo e teclados) e John 'Bonzo' Bonham (bateria).

E isso traz à memória da gente o fato de que, no último dia 8 de novembro, aquele que é tido como a pérola da banda - o álbum Led Zeppelin IV - completou, simplesmente, 46 aninhos. Como o tempo passa... É uma vida, pessoal. 


Imagem promocional publicada nas revistas da época, do lançamento do disco

O álbum revolucionário de 1971, que gravou para sempre o nome da banda no panteão dourado do rock and roll (e contando com uma faixa batizada com esse nome!), foi considerado tão marcante pois é a culminância daquele momento mágico, em que o som de uma banda se torna personalíssimo, inconfundível. Aquele momento em que todas as suas características indeléveis ficam nítidas, esmiuçadas, e elevadas nas músicas.

O Led era um grupo que perpetrava uma mistura ímpar e envolvente de blues puro e mega-amplificado com influências folk e celtas em determinados momentos, preenchendo as suas obras com um tom atmosférico e místico, tudo com muito talento e feeling de seus integrantes, musicistas habilidosos e donos de um virtuosismo natural e instintivo. E apesar de sempre ter sido considerado um baluarte do então nascente gênero heavy metal, devido ao peso e alto volume do seu som, aliado aos vôos guitarrísticos de seu líder Jimmy Page, o Led costumava renegar esse rótulo, preferindo chamar o que fazia, pura e simplesmente, de rock, com diversas influências.



Talvez o mais técnico fosse mesmo J. Paul Jones, o baixista, sereno e mais centrado, e que já havia trabalhado como produtor e arranjador de várias bandas célebres na Inglaterra dos anos 60 - sendo uma delas, uns tais de Rolling Stones. O restante (Page, Plant e Bonham) eram elementos químicos de intensa combustão, que mostravam no palco uma selvageria e garra, que nas gravações de estúdio era mais contida e modelada.

Quando foi lançado, o Led Zeppelin IV mostrava, portanto, as características individuais desses sujeitos elevadas à enésima potência, e deixava bastante claros, com esmero, todos os elementos que faziam o som do grupo acontecer, com notável imponência. 

Era um álbum também representativo dos seus famosos interesses ocultistas (em especial, de Page) - vinha sem qualquer nome ou indicação de título na capa, apenas a foto de um ancião carregando feno no campo. Identificando eles, na verdade, estavam quatro símbolos místicos.


Os símbolos representantes dos membros do Led Zeppelin: Jimmi Page era ZoSo, figura até hoje com significado não revelado pelo músico, mas retirada de um antigo livro sobre alquimia. Paul Jones é o os símbolos ovais que se interceptam num círculo, uma runa representando confiança e competência. Bonham era os 3 círculos interligados, representando a trindade pai, mãe e filho. E Plant era a pena que simbolizava a deusa egípcia Ma'at, significando lealdade, verdade e justiça.

O petardo começava com "Black Dog", uma pauleira de blues que parecia um arremedo das velhas canções de Muddy Waters e John Lee Hooker, mas entortada com altas doses de energia elétrica e uivos desesperadores de Plant, cantando a plenos pulmões que a big leg woman ain't got no soul ("mulher de pernas longas não tem alma"). Era, obviamente, uma das coisas que o Led tanto gostava de fazer: a completa subversão de um gênero antigo e adorado por todos eles, ao caos do hard rock e da improvisação. Transformar os velhos blues em barulho ensurdecedor. Nas mãos deles, músicas antigas e esquecidas de gente como Howlin' Wolf ("How Many More Times", do primeiro disco, "Lemon Song", do segundo) viravam uma grande brincadeira roqueira, um pastiche que dava ao grupo a chance de reverenciar seus ídolos com uma reinvenção total de suas obras, as projetando para os novos tempos. Não obstante, seriam futuramente acusados de plágio em diversas situações...
A seguir, vinha a música que definia o idioma do Led, e que se tornaria uma constante de fúria e agitação nos shows (aquela que a banda toca pra todo mundo tirar o pé do chão): "Rock and Roll". O que era pra ser uma simples ode em homenagem aos velhos tempos, de caras com topete cheio de brilhantina (Elvis e Little Richard, que a banda cultuava), se tornou uma das faixas mais enérgicas e empolgantes do Led, com ritmo acelerado na bateria acachapante de Bonham, e uma entrega insana de Page nas seis cordas.

A terceira faixa era justamente um dos mais intensos mergulhos da banda, até então, em suas raízes célticas: "The Battle of Evermore". Cantada em dueto com a sensacional Sandy Denny, dona de uma voz linda, uma inglesinha que tinha tudo para decolar como diva pop na época - mas acabou continuando no segundo escalão - essa música era uma verdadeira viagem viking da banda, com um sabor medieval folclórico e lírico irresistível, totalmente unplugged por entre violões e bandolins, e com esse acompanhamento sensacional Plant tem a chance de mostrar algo realmente diferente dos vocais delirantes e rasgados das músicas mastodônticas e tonitruantes da banda. 

O que viria a seguir, no entanto, é algo sem precedentes, e que marcaria para todo o sempre a carreira do Led Zeppelin, tornando-se sua trademark.

Muito já foi dito e contado sobre "Stairway to Heaven", canção até hoje considerada um dos maiores hinos do rock: sua construção rítmica perfeita, a sequência leve e acústica, também inspirada em baladas medievais, que aos poucos se converte num crescendo com andamento épico, enveredando pelo hard rock, bem como a letra onírica de Plant e as diversos mitos que a cercam, com as velhas histórias de que tocada ao contrário, no vinil, conteria mensagens secretas.

 'Stairway to Heaven', na sua clássica versão original, de estúdio


...E tocada ao vivo, no célebre concerto do Madison Square Garden, New York (1973)

O que pouco se fala até hoje sobre ela foi como o seu nascimento foi simples e casual, um mero rascunho de frases pensadas por Robert Plant e jogadas a esmo em uma folha de papel, e que de repente foram tomando forma após ele ouvir um simples dedilhado que Page estava arranhando ao violão, no estúdio Hadley Grange, em Hampshire. O instrumental da canção vinha de ideias que Page tinha em mente desde uma temporada de férias que ele e Plant haviam passado no ano anterior em Bron-Y-Aur, uma famosa residência campestre no País de Gales onde eles haviam composto grande parte do terceiro disco da banda. Page havia registrado essas passagens em fitas cassete, e volta e meia voltava a trabalhar nelas.

Foi a partir de dezembro de 1970, no entanto, que todo o grupo se debruçou sobre a composição e começaram a se dedicar a ela como um todo, de forma integral, já prevendo que tinham um grande material em mãos.

Um momento interessante nas biografias do Led reflete, inclusive, a estranha e fantástica aura de mistério que envolve o término da composição da letra, em apenas alguns poucos minutos, por Plant, em uma noite de frente para a lareira do estúdio Headley Grange, como se estivesse tomado espiritualmente: "De repente minha mão estava escrevendo as palavras: ‘Há uma senhora que está certa, tudo o que reluz é ouro, e ela está comprando uma escadaria para o céu’. Eu simplesmente sentei, olhei para elas e quase pulei da cadeira”. 

Instintivamente, como que recebendo palavras sopradas por almas na psicografia, Plant concluía a letra de "Stairway".

Tirando as histórias mirabolantes e lendárias sobre a música, o fato é que ela, em seus 8 minutos e 2 segundos de duração, realmente representa um momento tecnicamente perfeito e supremo do som do Led Zeppelin. É o ponto de encontro ideal entre o leve e o pesado, o sutil e o denso, unindo os extremos do estilo do grupo em todas as suas nuanças, de forma irretocável.

No disco de vinil original, "Stairway" fechava o lado A com um poder retumbante. Mas enganava-se quem pensava que o lado B, a segunda parte da obra, ficava comendo poeira.

Começando com "Misty Mountain Hop", o Led já dava mostras de sua versatilidade musical com um rock pesado inusitado, com viradas e pontes inesperadas, de flerte puro com a soul music (coisa que iria ficar ainda mais explícita no álbum seguinte, Houses of the Holy).

A seguir vem "Four Sticks", experiência progressiva do grupo que culmina com um show furioso de sintetizadores de John Paul Jones, adicionando novas tintas aos arranjos do Led, e que também dá mostras do que eles desdobrariam para ser perpetrado em álbuns futuros.

A penúltima faixa do álbum, "Going to California", novamente arrefece o peso para oferecer ao ouvinte uma das melhores e mais autênticas performances vocais da carreira de um jovem Robert Plant. Outra canção folk levada no violão, estradeira, belíssima, e com uma das mais tocantes aberturas já cantadas nas letras da banda: Spent my days with a woman unkind / Smoked my stuff and drank all my wine / Made up my mind to make a new start  / Going To California with an aching in my heart ("Gastei os meus dias com uma mulher má / Fumei meu bagulho e tomei todo meu vinho / Fiz minha cabeça para um novo começo / Estou indo para a Califórnia com uma dor no meu coração").
Led Zeppelin IV fecha as cortinas, afinal, honrando dignamente o peso característico e blueseiro da banda: "When the Levee Breaks" é uma pedrada certeira encharcada com uma gaita venenosa, saída dos confins do Mississipi, enquanto Jimmi Page serpenteia riffs de guitarra cheios de manha, depois solando desvairadaramente, e Paul Jones forma uma verdadeira barreira de baixo bruto, fazendo a cama para John Bonham espancar a batera numa das gravações mais viscerais do instrumento que você jamais ouvirá novamente, na tua vida! O eco que se ouve do bumbo, caixa de guerra, pratos e quetais foi naturalmente produzido no ambiente, já que Bonham fez questão de gravar a sua parte em um enorme salão localizado na parte central do estúdio Headley Grange, onde a bateria ficou com um som realmente incrível.

E assim o Led encerrava aquela que talvez tenha sido a sua mais bem sucedida aventura fonográfica - tirando aquela outra obra-prima que faria parte já do ocaso do grupo, o álbum duplo Phisical Graffitti, de 1975. 

Para esses nobres guerreiros vikings da pauleira, já estava garantida a entrada pelos portões do Valhalla do rock, ainda que predestinados a atravessar muitos percalços no restante de sua Bifrost rumo à eternidade...
 Cartaz em Los Angeles do relançamento comemorativo dos 45 anos de 'Led Zeppelin IV', no ano passado

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

A PARALISAÇÃO GERAL (E A REFORMA QUE NUNCA VAI ACONTECER)

Hoje, 10 de novembro de 2017, é dia de paralisação geral.

Várias entidades e órgãos públicos, do país inteiro, movidos por centrais sindicais, resolveram cruzar os braços em protesto contra a votação da reforma previdenciária, urdida pelo governo de Michel Temer.

Sendo que, na verdade, essa reforma não precisava acontecer.

Imaginemos que, realmente, o INSS esteja fadado a quebrar, dentro de pouco tempo. Que a média de vida mais elevada do brasileiro comum, nos últimos anos, esteja prestes a levar o sistema de contribuições sociais a um breakdown, impossibilitando as futuras gerações de se aposentarem dentro dos parâmetros hoje estabelecidos. Que não haverá caixa suficiente para oferecer a tanta gente, mais velha e ainda viva, um padrão digno de sobrevivência na idade do descanso.

Isso é o que eles afirmam.

É o que sustenta a tese da necessidade de tal reforma, para a equipe econômica do atual governo.

Mas existe uma outra reforma, muito mais substancial, que facilmente evitaria essa, ora apresentada ao Congresso.

Sejamos didáticos. Vamos explicar em letras simples, para que todo mundo que está lendo este texto possa entender. 

Se as regras para as aposentadorias especiais de algumas castas de nossa sociedade mudassem, não seria necessário mexer tanto nas regras do regime geral de previdência social.

As aposentadorias vitalícias de juízes, políticos e militares são uma afronta a um orçamento amplamente divulgado como falido. Quando se fala em distribuição desigual de renda no Brasil, é comum esquecer que essa "renda" envolve também os ganhos previdenciários, tão altos para algumas classes como juízes, políticos e militares, e tão baixos para a maioria dos outros trabalhadores, que cumprem tempos de serviço e contribuição bem mais longos, para receber relativamente pouco depois de tantos anos.

O que deveria se fazer é estabelecer uma proporção para aumentar o tempo de trabalho/contribuição das classes citadas, bem como reajustar os seus tetos máximos para aposentadoria. Há senadores e deputados que podem se aposentar com apenas oito anos de mandato, pelo regime especial a que estão sujeitos. E os valores são de dar vergonha para o que um trabalhador comum recebe quando se aposenta: o teto máximo do INSS é de R$ 5.189, enquanto o de um congressista chega a quase R$ 34.000. 

Reportagem do jornal Estado de São Paulo, no ano passado, já apregoava: "A União gasta todo ano R$ 164 milhões para pagar 1.170 aposentadorias e pensões para ex-deputados federais, ex-senadores e dependentes de ex-congressistas" (ver link).

Ou seja: os regimes especiais de aposentadoria, de certas classes de servidores dos Poderes Judiciário e Legislativo, tinham que ser revistos. Eles oneram muito os cofres públicos.

Mas, como são eles que ditam e revisam as leis, isso provavelmente nunca ocorrerá.

Praticamente impossível alguém trabalhar em desfavor de si próprio, não é mesmo?

"Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza", axioma expresso no caput do artigo 5º de nossa lei maior, a Constituição Federal, é uma sentença que começa a soar cada vez mais ingênua e falsa, diante de tantas situações recorrentes em nosso país.

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

A FANTÁSTICA PARCERIA CIBERPAJÉ/MERLIN BOX
Da esq. p/ direita: este que vos fala (Denio/Merlin Box), e mestre Edgar Franco - o Ciberpajé!

Continua dando o que falar!

Na esteira de uma série de comentários elogiosos, venho a republicar hoje aqui, neste blog, a postagem de semana passada do blog de meu caro amigo Edgar Franco, o célebre Ciberpajé, sobre a nossa parceria, do meu projeto musical Merlin Box junto com ele - o EP online Ao Caos Cotidiano!

Estamos cruzando fronteiras com essa trip monumental que tem surpreendido tribos mundo afora!

São os aforismos do Ciberpajé, humildemente musicados por este que vos fala!

Se você ainda não ouviu, entra nesse link e ouve/baixa lá, ainda dá tempo! Nossas viagens sonoras ficaram espetaculares!

Edgar Franco/Ciberpajé é um artista performático incrível, com uma visão crítica e hiper sensorial invejável a respeito desse mundo bizarro em que vivemos, e que me inspirou a perpetrar algumas das melhores camadas sonoras que eu poderia compor para as suas elegias visionárias, acerca da cruel realidade de um mundo socialmente decadente! Leia ae o que foi publicado...

O décimo segundo EP do projeto Ciberpajé, "Ao Caos Cotidiano", parceria com o Merlin Box (MG) e lançamento da Lunare Music, tem rendido análises e comentários de artistas e fãs, confiram alguns deles abaixo, e ouçam o EP nesse link.

"EXCELENTE, DIFERENTE, tem uma pegada de punk, rock e blues!! O som dos instrumentos harmonizado com sua voz traz uma sensação paradoxal de - ruído (que remete a uma verve underground, de ruptura, resistência, anti-sistema, iconoclastia e incômodo) - com a melodia que extasia (pois a qualidade musical é incrível) e que nos embala no ritmo. Sem falar nas as letras dos aforismos, estão bem incisivas. Um EP pra nos retirar do CAOS cotidiano e nos lança no CAOS ABISMAL CÓSMICO! parabéns ao Denio, ao Genilson e a você por este lançamento!"
(IV SACERDOTISA DANIELLE BARROS - artista multimídia e Dra. em Arte e Ciência pela FIOCRUZ-RJ)

"Playing loud ,powerful vocals my friend , drag the chaos across the universe!"
(Jed Green, experimental music lover from England)

"A atmosfera é ocre. apesar da película ocular, a poeira arde meus olhos. minha barriga, cotovelos e joelhos estão arranhados. é difícil se movimentar se arrastando em meio a tantas ruínas. não quero ser captado pelas câmeras de vigilância. passo minha língua em meus dente... sinto o sabor salgado de ferrugem. há pinturas rupestres no concreto cinza há muito coberto pela vegetação. ouço uma melodia fantasmática. deve estar vindo de alguma curva de algum ancestrofuturo. será uma antiga guitarra elétrica? ouço um sussuro... não! são urros de sabedoria. sim! vejo ao fundo, duas figuras. minhas vistas estão embaçadas. meu olhos ardem. acho que vejo as imagens míticas de um cangaceiro e um lobo... não sei... mas a música está ficando alta. intensa... profunda... acho que está vindo em minha direção. sim... está. mas como ela me descobriu? não importa. me entrego à ela... ou melhor, a elas... ah... ninfas do caos cotidiano..."Valeu Edgar e Denio, valeu pelo ep tão fodástico! mais um né!" (LÉO AMANTE DA HERESIA - artista multimídia e doutorando em arte e cultura visual da FAV-UFG)

"Sensacional como sempre, Edgar Franco! A arte cujo compromisso se dá apenas com a cura psíquica e espiritual é o antídoto que precisamos nessa era. A parceria desse EP trouxe uma dinâmica diferente dos outros trabalhos... além dessa influência psico/punk/bluesy, o som me lembrou algumas coisas do krautrock alemão, com suas dissonâncias e experimentalismos fantásticos. Parabéns e sucesso nesse projeto, mais pra frente vamos fazer uma parceria também! Abração!" (RAFAEL SENRA - artista multimídia e Dr. em Letras pela UFJF)

"Dois grandes mestres... dois grandes amigos... certeza de um trabalho forte e vísceral!!!" (HUDSON LIMA - artista, professor e biólogo)

Capa do EP 'Ao Caos Cotidiano'

"O gênio é o mestre do caos" (FÁBIO SHIVA - escritor e um dos mentores da banda Mensageiros do Vento)

"Textos inovadores, originais, e profundos, com uma arte inigualável. Simplesmente Ciberpajé. Melodias viciantes, hipnóticas e precisas do Merlin Box. Trabalho fantástico, grande mestre Edgar Franco! Meus mais sinceros parabéns aos dois!' (PATRICK ARAÚJO - mentor do projeto musical Cisne Sônico)

"Curti a valer! Uma espécie louca de som Surf-blues-punkrock-psycho-délico visceral expondo, em forma de manifesto, as entranhas de nossa sociedade e suas relações corrosivas e fétidas. Ambientes que vão do habitat comum de seres imersos em asfalto e no consumo desenfreado das grandes cidades, às vicissitudes pueris e tóxicas do poder transfigurado em relações, cargos e normas regidas por ideias torpes, onde a exploração e o lucro desmedido dão o tom, aguçado por guitarras ardidas, escalas e ritmos alucinantes. Na ferida!" (FREDERICO CARVALHO FELIPE - artista multimídia, mestre em arte e cultura visual pela FAV-UFG)

"Uma das coisas que mais gostei foi a pegada blues do primeiro e terceiro aforismos diferente dos outros EPs, o dissonante barulho da cidade do primeiro aforismo e a risada de bruxo ao final do segundo. Mesmo as palavras sendo mais fortes, a exigência sobre nós maior, o som foi mais suave. Massa demais!" (ANA COLANTONI, Dra. em Filosofia e professora da UFG - Campus Goiás)

"O Kaos gerando Arte é sempre obra máxima." (GIOVANI COELHO DE SOUZA - poeta)


"Ciberpajé, imerso nos mundos infernos dantescos, em posse de seu eidolon, traduz todo o horror que pôde contemplar com sua consciência desperta. A massa huxleyliana inconsciente segue achando tudo normal e estável, submersa em um mundo apocalipticamente caótico no qual só tomará consciência da miséria em que vive quando levar um choque e deixar este mundo. Ciberpajé portando sua lamparina de Diogênes, desmascara a falsa alegria das vidas miseráveis com seus aforismos brutos. A bela capa de seu novo EP, que faz parte do Projeto Ciberpajé, traz a nossa mãe interna em prantos pêsamicos, em analogia com Gaia, nosso planeta Terra, alvo de nossa ingratidão.A melodia da música que acompanha seus aforismos tem um tom fantasmagórico de alegria simulada, próprios de almas negras dos tiranos contemporâneos e de sua massa cega seguidora que habitam esse tétrico senário. Seus instrumentos musicais parecem milhares de vozes querendo desvirtuar a voz principal, como demônios que querem que um anjo caia. Mas a esse anjo selvagem não há nada que interesse, seus valores são diametralmente opostos ao de seus algozes." (CLAUDIO DUTRA - artista visual e professor)

(Para ler a matéria original no blog do Ciberpajé, clique aqui!)