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sexta-feira, 19 de maio de 2017

CHRIS CORNELL (1964 ✝ 2017)
por Robert Gillan

Em meio a toda essa balbúrdia política provocada pelas novas delações premiadas da Operação Lava-Jato, durante a semana, passou meio batida a notícia do falecimento de um dos maiores ícones da geração grunge que dominou o rock nos anos 90-2000: morreu no dia 17 de maio último, aos 52 anos, o vocalista das bandas Soundgarden e Audioslave, Christopher John Boyle, mais conhecido como Chris Cornell.

E foi por enforcamento, confirmado pelos médicos legistas. Infelizmente, o fantasma do suicídio e da depressão veio novamente por termo a um dos grandes talentos da geração grunge, assim como fez com outro ícone daquela era, Kurt Cobain, líder do Nirvana, há 23 anos atrás.

Dono de um carisma inigualável em suas performances, sóbrias e extremamente calculadas, e de uma voz marcante e poderosíssima (para os padrões habituais da época), Cornell era daqueles cantores com um timbre perfeitamente reconhecível em qualquer música onde ele relasse. Transformava qualquer performance em algo tipicamente seu, estendendo notas com perfeição inigualável, esbanjando drives altíssimos, mas também segurando bem nos graves, com tons belos e cheios de emoção.


Soundgarden

Após tocar bateria por algum tempo em um grupo de colégio na sua chuvosa Seattle natal, a Jones Street Band, iniciou sua carreira de músico profissional já na banda que o revelaria mundialmente, e onde descobriu que tinha um gogó privilegiado para mandar ver: o lendário Soundgarden. Isso foi por volta de 1984, e Cornell ainda ajudava a segurar as baquetas no grupo. No entanto, com a entrada de Matt Cameron na bateria, Cornell logo se viu livre para poder esmerar nos vocais. 

Durante sua fase "alternativa" - fazendo sucesso regionalmente, e antes do grande estouro dos grupos de rock grunge, alavancado pelo sucesso dos colegas do Nirvana - o Soundgarden, com seu rock pesado cheio de influências setentistas de gente como Led Zeppelin, Black Sabbath, Grand Funk Railroad e outros, experimentou uma boa acolhida do público que acompanhava os lançamentos da gravadora independente SubPop, de Seattle (que fez história), inicialmente com o EP Screaming Life (1987), e a seguir, com os álbuns Ultramega OK (1988) e Louder Than Love (1989).

Nesse meio tempo, em 1990, Cornell ainda se juntou a alguns colegas de outros grupos de Seattle para homenagear Andrew Wood, vocalista de outra banda histórica da cidade, que iniciou o movimento grunge, o Mother Love Bone, e que se foi em decorrência de uma dose letal de heroína. O resultado desse projeto-tributo foi a "banda de um album só", o Temple of the Dog, que seria o embrião da formação de outro supergrupo que tomaria de assalto o cenário do rock a partir do movimento grunge: o Pearl Jam - componentes dessa banda estavam no Temple, incluindo o vocalista Eddie Vedder (que divide os vocais com Cornell na faixa "Hunger Strike").



Finalmente, em 1991, o Soundgarden atinge o megaestrelato com o multiplatinado disco Badmotorfinger, uma paulada de rock pesado sem precedentes, que revela Cornell para o showbiz geral. De sex symbol a virtuose vocal, o moço passa a ser comparado a grandes feras do hard rock das antigas, como Robert Plant e Ozzy Osbourne, devido a seus extenuantes e caprichados malabarismos vocais, em sons como "Rusty Cage", "Outshined", "Jesus Christ Pose" e "Searching with My Good Eye Closed". 

É nítida a diferença entre ele e os outros vocalistas da era grunge: havia os berros lancinantes e ora atonais de Cobain. Havia o forte apelo rústico com texturas country de Eddie Vedder. Ou mesmo a angústia depressiva do vocal rasgado e irado de um Layne Staley (Alice in Chains). Diante de todos eles, a voz de Cornell - ora límpida, ora insana e tonitruante - ganhava um destaque atemporal.

Em 1994, outro álbum de sucesso, Superunknown - o que mais vendeu na carreira deles. Músicas como a faixa-título, "Fell on Black Days", "Spoonman", "Head Down" e a clássica "Black Hole Sun" são petardos que gravam definitivamente o nome do Soundgarden no panteão das bandas míticas do rock. Por outro lado, as agruras da fama sempre requerem um preço a ser pago: é por volta dessa época que uma já antiga amizade de Cornell com o álcool e as drogas se intensifica, levando ele (e por conseguinte, os demais membros da banda) a um período mais obscuro e de incertezas sobre o futuro do grupo. Após um álbum menos inspirado, e de menor expressão (Down on the Upside, de 1996), e o lançamento de uma coletânea (A-Sides, 1997), eles resolvem encerrar atividades.


A partir de 2002: à frente do Ausioslave

A revitalização da carreira de Cornell se daria em 2002, com um novo projeto ao lado dos caras de outro combo famoso, o Rage Against the Machine: urdindo um som mais agressivo e moderno, não tão calcado nas sonoridades dos anos 70 como o Soundgarden fazia, o Audioslave deu a Cornell a chance de mostrar novos alcances e sutilezas de sua voz, bem como prepará-lo para encarar novos desafios na música pop - quem diria que no ano seguinte, lá estaria ele figurando na música-tema do filme que reiniciaria a franquia do agente secreto James Bond nos cinemas? - "You Know My Name", primeiro single solo de sucesso do cantor, entre uma e outra turnê do Audioslave, era a música que abria o filme Casino Royale, com o novo 007 da série, Daniel Craig.

Ao longo de toda a década, Cornell foi demonstrando toda a sua versatilidade também em trabalhos solo e acústicos, experimentando novas vertentes (soul, funk), e com apresentações históricas e memoráveis, como em Havana (para mais de 50.000 pessoas, em 2003), e em edições históricas dos festivais SWU (onde se apresentou no Brasil, em 2011) e Lollapalooza.

Em 2010, acabou reagrupando o Soundgarden, a sua grande paixão. Voltaram a tocar com garra os grandes sucessos de seu tempo, em shows avassaladores. Nesse 17 de maio que se passou, estavam com vapor total, em plena turnê pelos EUA, que culminaria com uma participação no explosivo festival Rock the Range. O show daquela noite era no Fox Theatre, de Detroit, Michigan. Fãs apontaram aquela que seria a última performance de Cornell como uma das melhores dos últimos tempos. Membros da banda, roadies e sua esposa, que conversara com ele horas antes... ninguém percebera qualquer sintoma ou sinal de depressão do músico naquele ou em dias anteriores. No palco, Cornell, apesar de mais velho, continuava o mesmo vulcão sonoro de sempre. E andava "limpo" nos últimos tempos - nenhum sinal de recaída nos vícios de outrora.

Como poderiam prever o que aconteceria depois que ele voltou para o seu quarto de hotel?

O que dizer? Nada. Apenas ouvir com devoção uma voz incrível que se calou.

O mistério paira sobre a morte de mais um grande artista, imerso nas sombras pantanosas de sua mente enigmática, e genial.

A seguir, alguns grandes momentos da carreira de Chris Cornell. RIP.



"Big Dumb Sex" - grande momento da fase inicial do Soundgarden, em 1989 (álbum Louder Than Love):



"Rusty Cage" - um som tão poderoso do clássico disco Badmotorfinger (1991), que revelou os rapazes ao mundo, que até a lenda do country Johnny Cash encarou fazer um cover dela, alguns anos depois:


 "Black Hole Sun" - se há uma música que é o casamento perfeito entre o pop grunge, psicodélico, e o hard rock mais grudento, com influências dos anos 70, na década de 90, é esta aqui:


"Like a Stone" - o renascimento artístico de Cornell nos anos 2000, com Tom Morello e galerinha da pesada (Audioslave). Essa tocou pra caramba:


 "You Know My Name" - Cornell solo, mandando ver no filme do 007:

terça-feira, 16 de maio de 2017

AS LIÇÕES DO MESTRE YOGANANDA

Nos dias que seguem, a pressa, o egoísmo e a ambição material utilizam o dinamismo e as efemeridades da vida moderna - que se fazem sentir no esgotamento precoce das relações e na futilidade das redes sociais - e causam prejuízos incalculáveis aos valores autênticos pelos quais devemos sempre lutar e perseverar para manter.

Os olhares daqueles que realmente nos amam, o brilho do sorriso de uma criança, a riqueza imensurável de dormir e acordar, se levantar bem e gozar um dia inteiro com saúde: são coisas que a banalidade voraz do inferno contemporâneo rouba de nós, debaixo de nossos próprios narizes. Quando nos damos conta, já estamos totalmente sufocados, insensibilizados, "roboidiotizados" pelas mídias que nós mesmos convidamos a nos escravizar, e incapazes de nos deliciar com a intensa felicidade de respirar o ar puro da manhã, ou de sentir um gesto afetuoso de beijo ou abraço após o cair da noite.

Nos condenamos a buscar prazer em futilidades e relacionamentos vazios, nos martirizando logo após pela insaciedade advinda disso. E isso é apenas mais um reflexo da inútil busca em outras pessoas de uma paz que nós mesmos é que devemos possuir, em nossas almas!

Males terríveis que nos levam a somatizar muitos sentimentos ruins.

 Yogananda em 1950, dois anos antes de sua 'passagem'

Devido a essa consciência de procurar um pouco mais a liberdade do espírito, através da energia contida em valores verdadeiros e intuitivos, eu e muitas outras pessoas tem se aproximado das lições de um legítimo mestre, marcante para o seu tempo e inesquecível, sempre atual em seus conceitos: Paramahansa Yogananda (1893 + 1952), iogue formado na dinastia monástica dos swamis (mestres indianos cultores da transcendência e da meditação), e que tornou popular para toda uma geração do Ocidente as suas bem-aventuranças através do best-seller Autobiografia de um Iogue - onde ele relata como encontrou a paz e a iluminação.

É um privilégio se tornar um iniciado na filosofia oriental de reencontro com a paz e o espírito em meio a todas as tormentas que podem fazer parte do cotidiano.

A seguir, uma seleção de alguns dos melhores pensamentos do mestre, para enlevar nossos pensamentos nesse momento do dia, e recarregar com boas forças cósmicas nossas almas e corações (e para entrar na onda zen pra valer, deslize até o final do post e coloque pra tocar a Raga jog, de outro mestre indiano - esse da cítara - Ravi Shankar):

"Um diamante terá o menos valor só por estar coberto de lama? Deus vê a beleza imutável da sua alma. Ele sabe que nós não somos os nossos erros." - Em poucas palavras, Yogananda derruba a noção punitiva e incentivadora da culpa e do flagelo, tão típica de certas religiões cristãs mais arraigadas. O ser humano deve ser considerado e abrilhantado pelos valores belos que carrega, e pronto!

"Quaisquer que sejam as condições que eu tenha que enfrentar, sei que elas representam o próximo degrau na minha evolução. Aceitarei de bom grado todos os desafios, porque sei que dentro de mim estão a inteligência para compreender, o amor para aceitar e o poder para superar." - Em um momento no mundo de tanta ansiedade e amargor diante das decepções (e obsessões), em que presenciamos jovens tirando suas próprias vidas por conta de uma baleia azul, e séries de sucesso como 13 Reasons Why discutindo o suicídio, é um refresco para a alma saborear esse pensamento de Yogananda. Acalme-se. Tudo que ocorrer, por pior que seja, é para a tua melhora. E se o remédio anda sendo difícil demais de engolir, basta atentar para o alívio que ele cita no final: inteligência para compreender, amor para aceitar, e poder para superar.


"A verdadeira felicidade somente vem quando a sua vontade, guiada pelo discernimento da alma, escolhe o bem ao invés do mal, em qualquer momento, em qualquer lugar, porque na verdade você quer o bem pelo bem. Então você será realmente livre." - Complementando aí o pensamento anterior citado, esse é um verdadeiro elixir contra o ódio e a intolerância, tão em voga atualmente.

"A auto realização não é algo que se aprende em livros; alcança-se apenas pela experiência pessoal. O que toda religião deveria dar a seus seguidores é a percepção da Verdade - a experiência de Deus - e não meros dogmas." - Eis aí algo que eu sempre pensei, mesmo antes de conhecer Yogananda. E então, ao lê-lo, os pensamentos se alinharam maravilhosamente! É isso aí: você pode se orientar, pode se iluminar. Mas muita gente prefere continuar seguindo velhos líderes com falas dogmáticas e retrógradas.

"O material e o espiritual são duas partes de um único universo e de uma única verdade. Ao enfatizar uma parte ou outra, o homem falha em alcançar o equilíbrio necessário a um desenvolvimento harmonioso." - A lição vital do mestre sobre a importância do equilíbrio. 

"Até você agir, você é livre, mas depois que agiu, o efeito da ação o perseguirá, quer queira ou não. Essa é a lei do karma. Você é uma pessoa que pode agir com liberdade, mas quando realiza determinado ato, deverá colher os frutos desse ato." - Yogananda desfila com graça e desenvoltura pelos conceitos do livre arbítrio e da relação causa/efeito.

"O medo vem do coração. Se alguma vez você se sentir tomado de pavor de alguma doença ou acidente, deve inspirar e expirar lenta e ritmicamente várias vezes, relaxando a cada expiração. Isso ajuda a normalizar a circulação. Se o coração estiver realmente calmo, você não sentirá nenhum medo." - Momento em que o mestre Yogananda adentra até mesmo o território da biologia e medicina. Há estudos científicos que correlacionam o poder da mente sobre a circulação sanguínea, como forma de controle de determinadas emoções refletidas nas patologias.

"Não leve as experiências da vida tão a sério. Não deixe principalmente que elas o magoem, pois na realidade, nada mais são do que experiências de sonho... Se as circunstâncias forem ruins e você precisar suportá-las, não faça delas uma parte de você mesmo. Desempenhe o seu papel no palco da vida, mas nunca esqueça de que se trata apenas de um papel. O que você perder no mundo não será uma perda para sua alma. Confie em Deus e destrua o medo, que paralisa todos os esforços para ser bem sucedido e atrai exatamente aquilo que você receia." - Este pensamento de Yogananda vai de encontro a uma palestra proferida por ele, em que relaciona a vida a um sonho: "A melhor coisa que você pode fazer é praticar a consciência de que o mundo é um sonho". Ou seja, todos nós um dia nos despertaremos dele. É uma maneira leve e racional de encarar os problemas e desafios de uma forma diferente, sem receios, rancores ou quaisquer sentimentos destrutivos. Mais uma vez, uma palavra de grande valia para uma juventude "baleia azul", que anda cada vez mais perdida.

"Quanto mais você disciplinar a sua mente, mais a terá sob controle. Uma criança mimada sofre horrores, até com um pequeno ferimento; outra, espartanamente educada, mal se assusta diante de uma lesão séria." - A fala do mestre sobre a importância do rigor e da disciplina. E, mais uma vez, o poder que nós mesmos devemos ter sobre a mente.

"Vocês todos são deuses, só precisam se dar conta disto. Por trás da onda da consciência está o mar da presença de Deus. Olhem para dentro. Não se concentrem na pequena onda do corpo, com suas fraquezas; olhem além disso. Fechem os olhos e verão a vasta onipresença diante de vocês, em todos os lados. Vocês estão no centro desta esfera e quando elevam a consciência acima do corpo e das experiências físicas, encontram a esfera preenchida com a grande alegria e bem-aventurança que ilumina as estrelas e dá vida aos ventos e às tempestades. Deus é a fonte de todas as nossas alegrias e de todas as manifestações da natureza." - Para todos aqueles que lerem isso por um viés mais conservador, soa como heresia. Ou, no mínimo, ateísmo nietzchiano - o que é isso, você se considerar deus??? Mas basta ler adiante e com uma outra perspectiva: todos são fagulhas da eterna presença de Deus, Todo-Poderoso, em sua maestria e onipresença universal. Precisa mais que isso? E tá falado.

domingo, 30 de abril de 2017

VOCÊ SABE COMO NASCEU O 'DIA DO TRABALHADOR'?
"Chegará o dia em que o nosso silêncio será mais poderoso do que as vozes que hoje vocês estrangulam"

1º de maio. Dia do trabalhador. Uma data fortemente marcada por cores cívicas e sociais, especialmente nesses dias politicamente turbulentos que vivemos.

Mas você sabe como nasceu essa data de hoje, comemorada mundialmente? Não? Aulinha de História a seguir então. Vamo lá.

Uma das principais figuras responsáveis pelos movimentos trabalhistas e sociais em torno do 1º de maio era um cara chamado Albert Parsons. Jornalista, anarquista, e ativista político, Parsons nasceu em 1848, na atmosfera ferrenha de racismo do sul dos Estados Unidos, em Montgomery, Alabama. Desde novo, se sentia indignado com as injustiças que presenciava devido à segregação de negros, e com vinte e poucos anos, casou-se com outra ativista social, negra e ex-escrava, Lucy Parsons. Em busca de maiores oportunidades para disseminar suas ideias libertárias, que logo se expandiram também para a exploração dos trabalhadores e a necessidade de união das classes trabalhistas, eles sentiram que se mudando para Chicago poderiam atingir mais pessoas. 

Obviamente, além disso havia também a perseguição aos dois e o receio de constantes retaliações pelas divulgação de suas ideias: eram um casal inter-racial em uma época em que isso era praticamente inimaginável no sul dos EUA, e durante sua passagem pelo Texas, quase foram mortos por ativistas da Ku Klux Klan.

Em Chicago, devido aos dotes de excelente oradora de Lucy, e da escrita ágil e ferina de Albert, conclamando os trabalhadores a se unirem em torno de seus interesses em comum contra os desmandos patronais, logo fundaram a organização sindical Industrial Workers of the World. Este órgão, que passou a credenciar diversos trabalhadores das indústrias de Chicago e arredores, seria a semente para uma das mais intensas manifestações públicas de que se tem notícia em prol dos direitos do trabalhador: a célebre Revolta de Haymarket.


Lucy Parsons

Albert Parsons

Apesar de historicamente datada como ocorrida no dia 4 de maio de 1886, essa verdadeira rebelião ocorrida nas ruas de Chicago teve início com uma série de atos públicos no dia 1º de maio, quando um grande grupo de trabalhadores convocados por Parsons e outros libertários e ideólogos sociais foi às ruas com o intuito principal de protestar em favor da redução da carga horária de trabalho na cidade: eles reivindicavam que fossem legalmente definidas 8 horas diárias, contra as 12, 15 (às vezes até 16) que as fábricas da época obrigavam seus contratados a cumprir, gerando jornadas extenuantes e desumanas, que invariavelmente resultavam em estafa, doenças e morte para muitos deles. Lembre-se que a revolução industrial estava ali, tinha acabado de acontecer.

De cara, as primeiras manifestações já chamaram a atenção das autoridades e da polícia, logo chamada para "baixar a bola" dos manifestantes. 

O alarde do 1º de maio, amplamente divulgado por meio do boca a boca e de impressos enviados pelas gráficas de Albert Parsons e seus amigos sindicalistas, a vários cantos do país, logo deflagrou a primeira grande greve geral da história dos Estados Unidos.

Apesar de inicialmente pacífica, com a presença de trabalhadores segurando faixas, cartazes e fazendo discursos nas ruas, essa revolta traria consequências trágicas, que viriam logo a seguir. 

Dois dias depois do início das manifestações, em 3 de maio, um pequeno desentendimento entre os trabalhadores e alguns policiais mais irritados descambou para uma briga feia, em que três manifestantes acabaram mortos. O fato gerou uma revolta ainda mais intensa, e foi organizada uma outra passeata em represália a isso, para o dia seguinte, 4 de maio. E foi nesse dia que a coisa piorou.

Logo no início do dia de protestos, uma bomba caseira (até hoje de autoria desconhecida) foi atirada em meio a um grupo de policiais, matando um na hora e ferindo outros sete - que no decorrer dos dias seguintes morreriam também. 

A confusão estava armada. Possessa, a tropa de choque responsável por vigiar as ruas e conter os manifestantes atendeu a uma ordem do comando geral, sacando de seus revólveres e abrindo fogo contra todos os manifestantes, ferindo dezenas deles e matando doze logo de cara.

No dia seguinte, seriam presos e levados a julgamento os oito manifestantes considerados responsáveis por incitar os trabalhadores para ir às ruas protestar - Albert Parsons e mais sete outros, ainda que a polícia não tivesse conseguido reunir qualquer prova ou indício de que eles eram os responsáveis pela bomba que matou os oito oficiais no dia 3. 

Esses homens se tornariam conhecidos como "os mártires da Revolta de Haymarket" (o bairro de Chicago onde ocorreram os acontecimentos fatais daquele dia). Quatro deles - incluindo Parsons - seriam condenados à morte por enforcamento, um se suicidou, e os outros três restantes receberam sentenças de prisão que, após longos embates judiciais, seriam anistiadas pelo governador em 1893, ao tardiamente reconhecer que eles não tinham culpa pela violência ocorrida contra a polícia durante as manifestações.

Os oito mártires da Revolta de Haymarket - os mártires do Dia do Trabalhador

Em homenagem aos falecidos, foi colocada uma lápide em Chicago, próxima ao local dos acontecimentos (foto no início desse artigo), onde podemos ler: "Chegará o dia em que o nosso silêncio será mais poderoso do que as vozes que hoje vocês estrangulam".

Como se percebe, o número "oito" marca tragicamente o Dia do Trabalho: foram oito policiais mortos na grande rebelião, oito anarquistas e sindicalistas culpados pela bomba que os matou e pelas manifestações, e são oito as horas de trabalho padrão legalmente estabelecidas pela legislação trabalhista moderna, em praticamente todo o mundo.

A Revolta de Haymarket exerceu grande influência na história política e jurídica dos EUA, e passou a ser constantemente citada e referenciada em outros países como marco da luta dos trabalhadores pelos seus direitos e condições de trabalho, que passaram a adotar o dia de início das manifestações em Chicago - o 1º de maio - como dia oficial em homenagem aos operários e demais trabalhadores, na maior parte dos países do mundo, inclusive no Brasil.

O fato curioso é que justamente no país onde ocorreu o movimento e nasceram as ideias revolucionárias que geraram a data, o dia do trabalho não é comemorado em 1º de maio! - para os americanos, o Labor Day é a primeira segunda-feira do mês de setembro, todo ano. 

É muito importante que valorizemos os esforços daqueles que tanto lutaram para ver reconhecidos os direitos dos trabalhadores. 

Especialmente no atual momento, em que há a incômoda sensação de um poder que dá as costas para o clamor público, que vota em reformas sem ouvir a população, mal representada e absolutamente desprezada por seus representantes, cada vez mais enlevados financeiramente e corrompidos...

Reforma trabalhista? Previdenciária? 

Que tal uma reforma moral... que é o que este país realmente anda precisando fazer?

Pense nisso. E um feliz dia dos trabalhadores, para todos nós.



P.S.: E A MORTE DE BELCHIOR... MEXEU COMIGO! E COM VOCÊ TAMBÉM?

Estou profundamente consternado com a passagem de um grande artista, um cara que realmente fazia as músicas e as coisas da arte valerem a pena: Belchior

Agora, ele está lá. Do lado dos anjos. Dos espíritos de luz que nos recepcionam calorosamente, quando somos pessoas legais, que fizeram alguma diferença nesse mundo tão triste e ingrato.

A morte dele também se torna melancolicamente simbólica, com esses protestos ligados ao 1º de maio.

Belchior era um artista culto, socialmente comprometido. Engajado.
Pertencente a uma geração guerreira e destemida, de artistas que vieram praticamente no "pau de arara", do nordeste pra região sudeste do país, cantar e fazer sucesso (Fagner, Geraldo Azevedo, Zé e Elba Ramalho, entre outros),  ele era desses caras que conseguiu, no suor e na perseverança, fazer suas ideias e sua música falarem mais alto na cabeça do brasileiro médio comum - e com substância e sensibilidade intelectuais, acima de tudo! Um feito notável... ainda mais a se julgar pela forma como a mídia daquela época, e de hoje ainda, continua empurrando canções idiotas e medíocres na cabeça do povo (atualmente, sob a ridícula alcunha de "universitário", rs).

Elis Regina gravou o clássico "Como Nossos Pais", composição de Belchior, que  desvelou o tenso e sempre icônico conflito de gerações (vídeo logo a seguir, no final desta postagem).

E o comentário do autor deste blog é uma pequena elegia a Belchior: falo, ali, que sou "apenas um rapaz latino-americano". 

É como realmente me sinto, às vezes. Isolado, sozinho no meu canto e nos meus pensamentos, louco pra desvendar a vida e a humanidade inteira, mas sem dinheiro no banco, coragem, e algum impulso pra fazer tudo isso. 

As coisas precisam de estímulo.

Belchior era um dessas caras que, com sua arte-estímulo, fazia as coisas fazerem certa diferença.

Descanse em paz, querido amigo.

Nunca esquecerei daquelas noites em que, quietinho no meu quarto com fones de ouvido, eu queria mudar o mundo junto com você.

segunda-feira, 24 de abril de 2017

OS 80 ANOS DE NICHOLSON, UM ATOR FORA DE SÉRIE
 
No último dia 22 de abril, o mundo da sétima arte festejou as oito décadas de existência de um de seus mais talentosos e celebrados atores: John Joseph Nicholson, popularmente conhecido como Jack Nicholson.

O cara é uma daquelas figuras raras que conseguiu se destacar e fazer diferente em um ambiente pantanoso e ingrato como Hollywood, onde o show business constrói e devora estrelas da noite para o dia. Poucos são os que conseguem uma carreira tão sólida e sem máculas como Nicholson, que tem o mérito de desfilar tanto em produções alternativas, super elogiadas e de cunho mais artístico (Um Estranho no Ninho, Chinatown),  como em grandes sucessos de bilheteria, feitos com propósitos mais comerciais (Laços de Ternura, Batman e outros). Um feito extraordinário, e cada vez mais isolado hoje em dia. Conseguiu isso com originalidade, criatividade em suas memoráveis atuações, e um tino ímpar e perspicaz para conseguir bons papéis, onde ele foi deixando impressa a sua marca forte e pessoal. 

Ele é um típico exemplar do modelo de ator astuto, rebelde e independente, vindo de uma leva de garotos que quiseram revolucionar as técnicas de atuação no cinema norte-americano - gente como Peter Fonda, John Cassavetes, Martin Sheen, Dennis Hopper e tantos outros, conforme reza o espetacular livro Como a geração sexo drogas e rock ́n ́roll salvou Hollywood, do jornalista Peter Biskind, que retrata essa geração transgressora que destruiu o star system tradicional de Hollywood, nos anos 60-70, aprendendo a atuar de forma mais livre.

Nicholson, antes de mais nada, desconstruiu o protótipo de "mocinho" antes em voga no cinema americano. Ele foi sua antítese ideal, no momento certo da contracultura: com uma aparência marginal, mais gordinho, de estatura baixa e calvície saliente, instaurou um tipo inédito de protagonista nas tramas de que participava, retratando o homem comum que podia ser encontrado em qualquer esquina, com seus problemas financeiros, suas neuras, crises, cigarros e bebedeiras, e substituindo o modelo manjado de galã perfeito e invencível, que antes imperava nas telonas. Com um jeito por vezes nervoso, por vezes desleixado de atuar, algumas vezes carregando nos tons cínicos, tornou célebres seus olhares irônicos e sobrancelhas arqueadas, cada vez mais acentuadas com o tempo.

Nos últimos tempos, após muitos anos de intensa atividade, cogitou-se que estava se aposentando, hipótese agravada por boatos nos tabloides de que ele estaria com problemas de saúde (Alzheimer). Entretanto, seus assessores já desmentiram essa história, afirmando que Nicholson voltará às telas ainda este ano,  numa refilmagem do filme alemão Toni Erdmann.

A seguir, relembramos doze momentos bem legais de Nicholson nos cinemas, que ajudaram a gravar seu nome indelevelmente na galeria dos grandes atores de todos os tempos:

1) A Pequena Loja dos Horrores (The Lilttle Shop of Horrors, 1960): Em uma de suas primeiras aparições no cinema, nesta mini obra-prima de terror cômico do mestre dos filmes B (de baixo orçamento), Roger Corman, Nicholson tem um pequeno papel como o masoquista Wilbur, que tem uma fixação absurda pelo sofrimento na cadeira do dentista... e rouba a cena com o seu desempenho engraçado e esquizofrênico! Corman era um dos mentores do astro no início de sua carreira, e o brindou com este primeiro grande momento, que chamaria a atenção de vários diretores e produtores a partir de então.

2)  Sombras do Terror (The Terror, 1963): A primeira grande chance de Nicholson como artista principal em um filme ocorre aqui, e mais uma vez sob a batuta do amigo e mestre Roger Corman. Ele faz o papel do tenente André Duvalier, que é ajudado pelo fantasma de uma moça após um naufrágio, e se apaixona por ela, se envolvendo em uma trama macabra no castelo mal assombrado habitado pelo viúvo da falecida (a lenda do cinema de horror, Boris Karloff). Como pode se perceber, Nicholson começou sua carreira de forma bem independente mesmo, envolvido com pequenas produtoras de filmes baratos de terror e comédia, como a AIP (American International Pictures), montada em parceria com Corman e outros colegas de profissão, como Peter Fonda (com quem ele faria o seminal Easy Rider - ver comentário a seguir).

3) Sem Destino (Easy Rider, 1969): Nesse filme-símbolo da contracultura hippie do final dos anos 60, dirigido e estrelado pelos seus amigos Dennis Hopper e Peter Fonda, Nicholson faz uma ponta arrebatadora como um advogado puteiro e biriteiro, que lhe renderia uma primeira indicação ao Oscar, por melhor ator coadjuvante. O filme retrata a viagem lisérgica de dois motoqueiros em suas Harley Davidson entupidas de drogas rumo ao mardi gras, o lendário carvanal nababesco de New Orleans, e Nicholson está simplesmente impagável como o cara que cruza fatidicamente o caminho deles, com diálogos improvisados ao pé de fogueiras na estrada, que entraram para sempre no ideário dos porraloucas de plantão.

4) Cada Um Vive Como Quer (Five Easy Pieces, 1970): Dirigido pelo grande cineasta Bob Rafelson, Nicholson desponta como o protagonista de uma trama densa e fragmentada, que conta a história de Bobby Dupea, um pianista clássico que resolve renegar todo o seu passado e sua família, mas se vê às voltas com a doença do pai moribundo, que quer revê-lo antes de morrer. A intensidade dramática do ator é posta à prova pela primeira vez aqui, dando a chance para ele carregar com várias nuanças a raiva e tormento contidos do personagem, especialmente nas cenas de sua relação conturbada com a namorada garçonete (interpretada pela excepcional Karen Black). Despido de alguns trejeitos e maneirismos que se tornariam marcas características suas em momentos posteriores da carreira, ele consegue desempenhar um papel difícil e delicado de maneira bem natural, mas sempre dotado de uma raiva interior, que faria alguns críticos o compararem a grandes astros como Brando, Paul Newman e James Dean. Um belo filme de cunho existencial, que talvez seja o primeiro momento "pra valer" de Nicholson no cinema.

5) Chinatown (1974): Sob a mão pesada do mestre Roman Polanski na direção, Nicholson interpreta o detetive paticular Jake Gittes, às voltas com uma trama violenta, envolvendo o submundo dos gangsteres no famoso bairro chinês de New York, assassinatos misteriosos e incesto, num clássico do cinema policial que paga tributo aos velhos filmes noir de detetives do cinema americano da década de 30. Migraram para o terreno da lenda as histórias de brigas e desavenças entre o diretor e os atores durante a produção, onde rolou um clima bem tenso. Nicholson, contudo, manda bem em seu papel, com uma atuação surpreendentemente sóbria e contida.

6) A Última Missão (The Last Detail, 1974): Dirigido por outro amigo pessoal de Nicholson, o tristemente esquecido e desprezado diretor Hal Ashby, esse filme dá a chance para Nicholson exercitar mais seu lado histriônico, com excelentes falas e improvisos ao lado do seu parceiro no filme, o também excelente ator Randy Quaid. Nicholson é um dos oficiais da marinha encarregados de escoltar o personagem de Quaid, um jovem oficial foragido, para a prisão, e durante a trajetória muda de perspectiva.

7) Um Estranho no Ninho (One Flew Over the Cuckoo's Nest, 1975): E este foi o filme que deu a Nicholson o seu primeiro Oscar de melhor ator. Sob a direção de Milos Forman, ele interpreta Randle McMurphy, um desajustado condenado a cumprir pena em um reformatório para doentes mentais, e que logo de cara bate de frente com a enfermeira linha dura que comanda o lugar, a Sra. Ratched - brilhantemente interpretada por Louise Fletcher. O embate entre os dois - psicológica e ideologicamente falando - constitui um dos grandes duelos entre personagens da história do cinema, e no final das contas, quem sai ganhando é o espectador, ao presenciar desempenhos fantásticos de Nicholson e Fletcher!

8) Duelo de Gigantes (Missouri Breaks, 1976): Faroeste soturno e outonal, dirigido por Arthur Penn, no qual Nicholson antagoniza o grande rebelde de outrora (que o antecedeu em outra geração), a lenda Marlon Brando. Apesar de sugerido pelo título nacional, esse "duelo de gigantes" não é tão marcante assim, pois na verdade são poucas as cenas entre os dois grandes atores, e a trama é um tanto enfadonha e arrastada, não se constituindo em um momento tão espetacular assim na carreira de ambos. Mas vale por uma boa atuação leve de Nicholson, incomum no papel de herói, e Brando, exercitando um bandido psicótico e com tênues tendências homossexuais.

9) O Iluminado (The Shining, 1980): Nicholson tem aquele que é considerado por muita gente (eu incluso) como o melhor desempenho de toda a sua carreira. Contribui muito para isso o extremo perfeccionismo do diretor britânico Stanley Kubrick, responsável por adaptar de forma obsessiva e primorosa, com muito estilo, este livro do icônico escritor Stephen King para o cinema. Também considerado "mão pesada" por muitos, Kubrick conseguiu extrair de Nicholson uma de suas atuações mais insanas e desvairadas, rendendo excelentes resultados com um personagem repleto de tiques e trejeitos, dos quais o ator só conseguiria se livrar com muito custo depois. Ele faz o escritor Jack Torrance, que se isola com a mulher e o filho pequeno em um distante e gélido hotel nas montanhas do Colorado, na esperança de dar fim ao seu bloqueio criativo e escrever uma grande obra. No entanto, traumas de seu próprio passado e eventos assombrosos no lugar criarão empecilhos aos seus planos... É o retorno glorioso de Nicholson ao cinema de horror, gênero que praticamente o lançou para a fama, com os colegas Roger Corman e outros, conforme descrevi aqui há algumas linhas atrás. Mas a forma como ele se entrega ao papel do atormentado Jack simplesmente arrasa com praticamente todas as suas outras atuações - ele voltaria a estrelar outro filme do gênero em 1987, com o diretor George Miller, no misto de comédia As Bruxas de Eastwick - entretanto, o resultado seria bem diferente. Aqui, a sua química com a frágil atriz Shelley Duvall (no papel de sua esposa) é irrepreensível, e os momentos em que ele olha ameaçadoramente para o pequeno Danny Loyd (que faz seu filho) são de arrepiar! Dois momentos que entraram para a história do cinema: o êxtase da loucura impresso nas páginas que Jack enche com os dizeres "All work and no play makes Jack a dull boy" (Muito trabalho e nenhuma diversão fazem de Jack um bobão), e o momento em que ele, em meio a perversas citações do conto do Lobo-mau e os Três Porquinhos, arrebenta a porta do banheiro com um machado para matar a sua esposa, enfia a cara pelo buraco com um sorriso demencial, e diz: "Here's Johnny!". Doido... e brilhante!

10) Laços de Ternura (Terms of Endearment, 1982): Drama trivial sobre a conturbada relação entre uma mãe e sua filha - vividas pelas atrizes Shirley McLaine e Debra Winger, na verdade, este filme é mais um veículo para a primeira, já veterana no cinema, sob a direção de James L. Brooks. Apesar de bem meloso, o filme ofereceu uma ótima chance para Nicholson exercitar um lado seu mais cômico/dramático, na pele do bonachão ex-astronauta Garret Breedlove. Resultado: ganhou a crítica no papo por essa atuação, e levou para a casa o Oscar de melhor ator coadjuvante.

11) Batman (1989): Tenho que confessar que não gosto muito do tom gótico e melancólico da maioria dos filmes de Tim Burton - pra mim, o diretor de cinema mais "emo" que já existiu até hoje. Continuo preferindo ainda a trilogia de Batman do diretor Christopher Nolan (esses sim, os filmes definitivos). Mas é inegável que Burton conseguiu restabelecer o personagem do herói para o cinema, e conferir a ele um tom de seriedade que nunca antes outro cineasta havia dado. E quem que ele resolveria escalar para o papel do arqui-inimigo Coringa??? Pois é... eis aí Nicholson na parada, mais ácido e zombeteiro do que qualquer outro palhaço do crime no cinema. Se a performance de Heath Ledger é suprema e irretocável, e a mais recente, de Jared Leto, é afetada e dispensável, podemos dizer que a de Nicholson simplesmente encontra um tom bem peculiar para o personagem. O Coringa de Jack Nicholson é, simplesmente... o Coringa de Jack Nicholson! Ponto para ele.

12) Os Infiltrados (The Departed, 2006): Na minha opinião, o último grande papel que Nicholson desempenhou, com tesão mesmo, sob a batuta de um excelente diretor (o lendário Martin Scorcese), e contracenando com um time de feras, que só melhorou o rendimento de sua atuação: Leonardo DiCaprio, Matt Damon, Martin Sheen.. Ele faz o papel de Frank Costello, chefão da máfia irlandesa, que planta um informante (Damon) no departamento de polícia estadual de Massachussets para obter informações privilegiadas para os seus negócios. Em seu caminho, no entanto, há o agente Billy Costigan (DiCaprio), também infiltrado em sua quadrilha pela própria polícia... Com um roteiro caprichado de William Monahan, Nicholson tem algumas das melhores falas do filme, carregando ele nas costas, e mais uma vez arrasando geral. 

Parabéns, Jack!